Composição Orquestral

 

De seguida faço uma pequena retrospectiva do trajeto do Trombone, tendo como pano de fundo a forma como os grandes compositores utilizaram este instrumento nas suas obras

Gustav Mahler (1860-1911)

Mahler tinha plena noção das capacidades técnicas e expressivas do Trombone. No 1º andamento da sua 3ª sinfonia encontramos um dos mais significativos solos na história deste instrumento. Todas as suas sinfonias ( exceto a 4ª, que não tem Trombones) são tratados orquestrais para este naipe, explorando ao máximo dinâmicas, articulações e efeitos sonoros.

Pyotr Tchaikovsky (1840 - 1893)

As sinfonias de Tchaikovsky incluem algumas das mais gratificantes partes de Trombones escritas por compositores russos. Nas suas sinfonias Tchaikovsky utiliza o Trombone em todas as potencialidades, desde o clímax em fff aos dramáticos corais em ppp.  Como trombonistas devemos conseguir um som brilhante mas não agreste, para interpretar a sua música.

Anton Bruckner (1824 - 1896)

Foi com o som do órgão em mente que o compositor e organista Bruckner utilizou os metais, e muito particularmente o naipe de Trombones e Tuba, nas suas orquestrações.

As suas sinfonias constituem um grande desafio em termos de resistência, sobretudo para o primeiro Trombone, devido à grande extensão das partes de metais com dinâmicas que exploram ao máximo os grandes ff orquestrais, seguidos muitas vezes por pequenos corais, no mais misterioso pp. Para a abordagem de algumas das suas sinfonias (como é o caso da 5ªsinfonia), o primeiro Trombone não deve menosprezar a utilização de um bumper.

O som pretendido para Bruckner deve ser grande e pesado, mas com a suavidade da emissão da escola alemã em mente. Não pode ser tão direto como o que se pretende para compositores russos como Tchaikovsky, mas sim arredondado, sobretudo nos ff.

Como Trombonistas nunca devemos permitir que a dinâmica nos faça esquecer caráter nobre do nosso instrumento, sobretudo nos maiores fff orquestrais. Mais importante ainda é nunca esquecer o sentido musical de cada intervenção, e analisar com os colegas de naipe a condução melódica de cada frase orquestral e a função dos Trombones neste contexto.

No clímax do andamento lento da sua 7ªSinfonia, Bruckner escreve uma das passagens mais geniais de toda a Historia da Música. Utilizando quatro tubas Wagnerianas e a tuba baixa, consegue um momento verdadeiramente mágico. Não posso deixar de recomendar a minha gravação preferida desta obra, com excelentes prestações dos metais da New York Philharmonic sob a direção de Kurt Masur, naquele que foi o primeiro concerto deste grande maestro alemão como maestro titular desta excelente orquestra americana.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 - 1791)

Mozart utilizava a secção de Trombones nas suas obras corais para sublinhar as vozes do coro, na orquestra. Na sua época o instrumento utilizado era a sacabuxa (antecessor do trombone), cuja tubagem era muito mais estreita e os recursos sonoros obviamente bastante limitados.

Como trombonistas devemos produzir um som terno, leve e nunca muito forte, ao tocar a sua música. Mozart escreveu um importante solo de Trombone Tenor* no Tuba Mirum da sua derradeira obra – O Requiem.

*Este solo de 2ºTrombone ( Trombone Tenor) justifica-se pelo fato de que o naipe na orquestra desta época era constituído por Trombone Alto (1º), Trombone Tenor (2º) e Trombone Baixo (3º). Até ao final do século passado muitos compositores continuaram a utilizar esta formação.

Ludwig Van Beethoven (1770 - 1827)

Com Beethoven o Trombone é utilizado pela primeira vez numa sinfonia. No último andamento da sua 5ª Sinfonia, Beethoven funde a sonoridade dos Trombones com os outros metais, para conseguir um efeito triunfante nestas magníficas páginas de música.

Beethoven voltou a utilizar o Trombone nas suas 6ª e 9ª Sinfonias, bem como na “Missa Solemnis” e na única ópera Fidelio. A sua obra mais relevante para este instrumento são os Drei Equale para 4 Trombones, que foram escritos pra o funeral de um amigo seu, e acabaram por ser tocados no seu próprio funeral.

Richard Wagner (1813 - 1883)

Algumas das passagens mais gratificantes para a secção de Trombones foram compostas por Wagner. Na sua tetralogia “O Anel dos Nibelungos”, explora de uma forma incomparável as potencialidades expressivas deste instrumento. Aqui, Wagner utiliza um naipe constituído por dois Trombones tenores, um baixo e um contrabaixo, bem como uma trompete baixa que, como sabemos, é tocada por um trombonista.

Richard Strauss (1864 - 1949)

Strauss tinha pleno domínio das suas capacidades como orquestra dor. As partes de primeiro Trombone são muitas vezes bastante difíceis de tocar, requerendo um pleno domínio da região aguda do instrumento.

Franz Schubert (1797-1828)

Na sua 9ª sinfonia “A Grande” escreve algumas das páginas mais extensas na literatura do Trombone. Schubert utiliza também um naipe constituído por Trombone Alto, Tenor e Baixo.

Robert Schumann (1810-1856)

Escreveu algumas das frases mais belas para o naipe de trombones. Na introdução do quarto andamento da sua 3ª sinfonia Schumann escreve um dos mais bonitos e difíceis solos (com 1ª trompa) para Trombone alto. Este é um dos compositores que justificam indubitavelmente a utilização do Trombone alto* nas orquestras modernas, não só para facilitar a região aguda nas partes de 1º Trombone, mas sobretudo para conseguir a sonoridade que Schumann tinha idealizado.

*este instrumento caiu em desuso no final do século passado e só há cerca de 20 anos, aproximadamente, sobretudo através da influência de grandes maestros alemães como é o caso de Herbert von Karajan, voltou aos poucos a ocupar o lugar que lhe compete na secção de trombones de orquestra.

Giuseppe Verdi (1813-1901)

Utilizava 3 ou 4 Trombones de pistões nas suas orquestrações, visto ser este o instrumento utilizado em Itália na sua época. Nas suas óperas Otello e Falstaff, a escrita para Trombone chega a ser virtuosa, tendo em conta que nos dias de hoje é tocada em trombone de Varas.

Johanns Brahms (1833-1897)

Escreveu bonitos corais para a secção de Trombones. Um dos mais representativos é sem dúvida o do ultimo andamento da sua 1ª sinfonia.

Para tocar Brahms, devemos conseguir um som extremamente aveludado (mesmo nas dinâmicas mais fortes) e manter uma terna relação com as suas frases, sem menosprezar a entrega necessária para interpretar um grande romântico, como é o seu caso.

Leos Janácek  (1854-1928)

Pela forma como escreveu para os instrumentos de sopro, o excêntrico compositor parece não ter conhecido as possibilidades técnicas de cada um deles. No entanto, no 3º andamento da sua Sinfonia encontramos uma das mais espetaculares partes de trombones da história da Música.

Jean Sibelius (1856-1957)

As dinâmicas do compositor finlandês são geralmente demasiado aligeiradas, visto que a sua orquestra, onde experimentava as suas obras logo após compostas, tinha uma secção de cordas muito reduzida.

Sibelius utilizou um solo de Trombone para declamar o tema principal da sua 7ª sinfonia. Este solo, submerso na massa orquestral, faz lembrar uma voz, lutando para se fazer ouvir no meio da multidão.

Dmitri Shostakovich (1906-1975)

Foi outro dos grandes orquestra dores da história da Música, e utilizava todos os instrumentos com um conhecimento óbvio das suas potencialidades.

De entre os vários solos de Trombone que escreveu nas suas sinfonias, gostaria de destacar o solo da 4ª sinfonia e os solos contrastantes da 15ª Sinfonia, no 1º e 2º andamentos.

No 4º andamento da sua 13ª sinfonia para baixo, coro de baixos e orquestra, Shostakovich escreve um dos mais impressionantes solos de Tuba de sempre.

 

extraído do site http://trombone.com.sapo.pt/index.htm

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