Tocando com Liberdade
Tocando o trombone com fluência e liberdade
Renato Farias
Trombonista, professor e artista Weril.
Contatos: (11) 9612-1296
Publicado
na Revista Weril n.º 145
Em
geral, o anseio e os questionamentos da maioria dos trombonistas, sejam
estudantes ou profissionais, são os mesmos: Como conseguir
uma sonoridade agradável? O timbre do trombone é assim mesmo!? Agressivo? É
um instrumento típico e
ideal para bandas? Porque estudamos tanto, e os trompetistas e saxofonistas
conseguem tocar estudos mais velozes do que nós? É difícil afinar as notas em
um instrumento sem válvulas (pistos)!!
Que bocal é melhor para emitir as notas agudas? Este bocal não é pequeno para
as notas médias e graves? Cria-se mentalmente uma série de pretextos e
barreiras, e até dúvidas se o trombone não é um instrumento tecnicamente
limitado. O grande
mestre Gilberto Gagliardi citava duas célebres frases: “O problema está
na pecinha atrás do Bocal” e “O seu talento está lento”.
Hoje, dispomos de muitos recursos; instrumentos excelentes, todos os métodos
necessários, escolas públicas de música, informações via internet, a
Revista Weril, etc... O que necessitamos agora é de organizarmos nossas
atividades e nos dedicar à pesquisa e ao estudo disciplinado do instrumento
que elegemos. E mais: procurarmos nos inteirar das artes e cultura geral, freqüentando
shows, concertos, festivais, cursos, participarmos de debates em workshops,
masterclasses, e muito mais. Temos medo de nos aprofundar em nossos estudos, no
receio de nos complicarmos. Como músico profissional, procuro estar atento a
tudo
que acontece musicalmente no mundo. Muita coisa mudou, mas nada conseguiu
substituir a necessidade e eficiência do estudo sistemático dos instrumentos
musicais. Se não tivermos consciência de que a dedicação à música e ao
instrumento nos trará benefícios, seremos músicos frustrados vencidos pelo
tempo.
É muito importante que em nossa jornada tenhamos a orientação periódica de
um professor reconhecido, e que possua uma didática clara e compreensível.
Nossos questionamentos:
A Sonoridade agradável adquire-se procurando tocar da forma mais natural possível,
sem grandes esforços, dando ênfase aos estudos de notas longas
sem ataque, variando gradativamente a dinâmica: pp,p,mp,mf,f e ff
(ligadura natural = sem utilização da língua), os exercícios 1 e 2,
repetindo cada frase 6 vezes utilizando as dinâmicas acima, emitindo as
notas com brilho quando pp,p,mp, e não deixando que nas dinâmicas mf,f ff
procure executá-las com a boca mais aberta que o habitual. (Ver exercícios
abaixo) O trombone é compatível com qualquer formação, portanto, procure
integrar grupos variados como: trompete,
sax e trombone, trios e quartetos de trombones, quinteto de metais, trombone e
piano. A prática em grupos pequenos possibilita o desenvolvimento
musical e a consciência de grupo, permitindo uma boa performance ao atuar em
grupos maiores como bandas, orquestras, etc...
A Velocidade nas execuções de trechos musicais com o trombone, quando
comparada a outros instrumentos, inicialmente aparenta ser difícil.
É preciso ter consciência de que o trombone de vara tem digitação
diferenciada dos demais. Temos que
mover as diferentes posições para construirmos
as notas. Tendo um estudo disciplinado e com muita cautela, poderemos adquirir
domínio e fluência
na execução do mesmo. O estudo das escalas nos tons maiores e menores nos
permitem, ao longo do tempo, não só a localização das notas, como um
bom reflexo e sincronismo no movimento da vara. Procure executar os exercícios
abaixo, inicialmente sem interromper a coluna de ar (soprando continuamente).
A Afinação das notas no trombone,
além de procurar centrar a sonoridade das mesmas, dependem de algumas correções
da série harmônica (seqüência de notas na mesma posição)
Alguns instrumentos de pistos dispõem de recursos para as correções de afinação,
como gatilhos e anéis que possibilitam abrir e fechar algumas pompas (voltas).
O Bocal é um acessório indispensável e muito importante e a escolha da
medida, devido as características pessoais . Os bocais mais usuais para o
trombone tenor são: VTBT 6 ½ A; VTBT 6 ½ AL;
VTBT 6 ½ AM; VTBT 5G; VTBT 5 GS; VTBT 4G. E para o trombone baixo: VTBT 3G;
VTBB 1 ¼ GM; VTBB 1 ½ G; VTBB 1 ¼ G; VTBB
da Weril). Porém não é aconselhável experimentar
vários bocais em um curto espaço de tempo, devido a adaptação exigida à
musculatura facial. Obtenha todas as informações sobre os músculos faciais no
caderno “Princípios Básicos da Execução dos Instrumentos de Metal”
editado e distribuído pela Weril.
É de suma importância a freqüência do músico em eventos musicais, não só
na fase de sua formação. Através das informações obtidas através dos sons,
naturalmente a memória torna se um rico banco de dados e, por meio do estudo
musical qualitativo, haverá uma seleção de detalhes que estarão
influenciando a sua carreira musical. Procure também ouvir gravações, não só
de artistas relacionados ao seu instrumento.
Para que possamos despertar em nosso instrumento a propagação de nosso som
pessoal, como a voz, necessitamos ter contato com diferentes
timbres: instrumentos de cordas, madeira, percussão, etc....
É também importante, selecionar e ouvir vários gêneros para que se
desenvolva a comparação entre compositores, interpretes, épocas e regiões.
A ciência do estudo do Trombone, exige que tenhamos em nosso material didático,
diferentes métodos, para que possamos deles extrair os exercícios adequados ao
desenvolvimento de
todos os importantes itens, resultando uma boa performance.